Uma vez disseram-me "quando pensares que não pode haver nada pior do que determinada coisa, vai haver algo que te vai mostrar que é sempre possível ser ainda pior".
Ultimamente tenho andado com maior frequência nos autocarros da Boa Viagem que são os únicos que fazem carreiras para trás do sol posto, ou seja, onde eu moro.
Como tenho uma tendência para adormecer durante a viagem, costumo sentar-me nos lugares da frente onde é mais fácil perceber onde estou quando abro os olhos. O problema é que esses lugares também são os escolhidos por umas senhoras que gostam de ir o caminho todo a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa, oferecendo, aos restantes passageiros, as suas opiniões e comentários formulados como se fossem dogmas.
O grande prazer destas senhoras é debruçarem-se sobre a vida de outras pessoas e sobre o trânsito. No entanto, como observadora neutra, saliento que é impressionante o nível de barbaridades seguidas que elas conseguem dizer, principalmente quando fazem juízos de valor ou comentários sobre condução quando nem sequer sabem para que servem os pedáis.
É verdade, quando eu pensava que não havia nada pior do que conversas de elevador, eis que aparecem as conversas de autocarro. Esta variante das conversas de circunstância, utilizadas para quebrar silêncios incómodos e ocupar o tempo é tremendamente pior do que as de elevador por uma razão muito simples: eu fico dez segundos no elevador, mas a viagem de autocarro demora uma hora!
domingo, julho 25, 2004
quinta-feira, julho 22, 2004
Uma falha de luz por dia nem sabe o bem que lhe fazia
Hoje de manhã quando cheguei à F.P.F. disseram-me que não havia luz, em príncipio até às 11h. Isto significa que não havia elevador, computadores ou sequer telefone. Portanto não havia forma de me entreter.
Senti-me a voltar aos tempos de escola em que, quando o prof faltava, o pessoal ía todo para o café. Foi exactamente isso que fizemos, o café aqui do lado parecia uma sala de estar dos funcionários da F.P.F.
Depois lá fomos andando para o edifício e passado mais uns minutos decidimos começar a subir as escadas muito devagarinho, afinal não havia grande pressa.
Infelizmente a falha electrica foi resolvida com uma hora de antecedência, o que eu acho indecente. Para compensar ainda não tenho acesso à rede.
Vou fazer um protesto porque todos estes factores estão a interferir com a minha (muito reduzida, quase residual) vontade de trabalhar...
Esqueci-me de vos contar que já me disseram que "vai ser muito complicado" eu ficar cá...parece que há muitas cunhas que têm de ser satisfeitas e portanto saem os elos mais fracos, adeus!
Agora que já tenho luz, já tenho mais formas para me entreter, afinal de contas, daqui até ao fim do mês ainda falta algum tempo.
Senti-me a voltar aos tempos de escola em que, quando o prof faltava, o pessoal ía todo para o café. Foi exactamente isso que fizemos, o café aqui do lado parecia uma sala de estar dos funcionários da F.P.F.
Depois lá fomos andando para o edifício e passado mais uns minutos decidimos começar a subir as escadas muito devagarinho, afinal não havia grande pressa.
Infelizmente a falha electrica foi resolvida com uma hora de antecedência, o que eu acho indecente. Para compensar ainda não tenho acesso à rede.
Vou fazer um protesto porque todos estes factores estão a interferir com a minha (muito reduzida, quase residual) vontade de trabalhar...
Esqueci-me de vos contar que já me disseram que "vai ser muito complicado" eu ficar cá...parece que há muitas cunhas que têm de ser satisfeitas e portanto saem os elos mais fracos, adeus!
Agora que já tenho luz, já tenho mais formas para me entreter, afinal de contas, daqui até ao fim do mês ainda falta algum tempo.
Crise de identidade
Se:
quem tira engenharia é engenheiro;
quem tira medicina é médico;
quem tira advocacia é advogado;
quem tira jornalismo é jornalista;
quem tira gestão é gestor;
quem tira publicidade é publicitário;
quem tira design é designer;
quem tira assessoria de imprensa é assessor de imprensa;
... (acho que já deu para perceber onde quero chegar)
Então:
quem tira Comunicação Social - variante cultural é o quê?
quem tira engenharia é engenheiro;
quem tira medicina é médico;
quem tira advocacia é advogado;
quem tira jornalismo é jornalista;
quem tira gestão é gestor;
quem tira publicidade é publicitário;
quem tira design é designer;
quem tira assessoria de imprensa é assessor de imprensa;
... (acho que já deu para perceber onde quero chegar)
Então:
quem tira Comunicação Social - variante cultural é o quê?
segunda-feira, julho 19, 2004
Onde é que eles andam?
Estou preocupada com a ausência da Fátima Felgueiras, ou Fátinha como a costumo tratar. Esta minha preocupação não é recente e acho que uma senhora com tanto gabarito devia ser melhor tratada. O que é que será que se passa com a Fátinha? É que há mais de dois meses que ela não dá uma conferência de imprensa.
Esta ausência entristece-me imenso, pois caso não se lembrem a última vez que ela apareceu na televisão foi um fartote de rir e acho, sinceramente, que a nossa televisão precisa de mais e melhor humor.
Por falar em ausências prolongadas no Brasil...o que é que é feito do padre Frederico?
Se alguém tiver notícias destas personagens incontornáveis agradecia que as partilhasse, não se oferecem alvíssaras.
Esta ausência entristece-me imenso, pois caso não se lembrem a última vez que ela apareceu na televisão foi um fartote de rir e acho, sinceramente, que a nossa televisão precisa de mais e melhor humor.
Por falar em ausências prolongadas no Brasil...o que é que é feito do padre Frederico?
Se alguém tiver notícias destas personagens incontornáveis agradecia que as partilhasse, não se oferecem alvíssaras.
Resumindo...
Ontem no telejornal deram uma notícia que mais parecia uma das anedotas dos malucos do riso.
O novo Governo foi tomar posse e sinceramente não sei o que foi mais caricato, se a cara de surpresa do Paulo Portas quando soube o nome do seu ministério ou a tentativa de do Santana Lopes de resumir o discurso.
Gostava de saber quem é que escreveu aquele discurso, porque, pela quantidade de páginas que o Sanatana saltou, estive na dúvida se era mesmo o discurso ou se (só no gozo) tinham trocado aquilo por uma cópia dos Maias.
Mas ainda assim não sei porque é que fiquei surpreendida, afinal, quem aturou o Guterres durante seis anos é capaz de suportar quase tudo...
O novo Governo foi tomar posse e sinceramente não sei o que foi mais caricato, se a cara de surpresa do Paulo Portas quando soube o nome do seu ministério ou a tentativa de do Santana Lopes de resumir o discurso.
Gostava de saber quem é que escreveu aquele discurso, porque, pela quantidade de páginas que o Sanatana saltou, estive na dúvida se era mesmo o discurso ou se (só no gozo) tinham trocado aquilo por uma cópia dos Maias.
Mas ainda assim não sei porque é que fiquei surpreendida, afinal, quem aturou o Guterres durante seis anos é capaz de suportar quase tudo...
sexta-feira, julho 16, 2004
Dias decisivos...
Ouvi dizer, por estes corredores federativos, que entre ontem e hoje o Presidente (neste momento faço sempre uma vénia) ía decidir o meu futuro. Ou seja, ía decidir quanto à proposta que fizemos de eu ficar cá a fazer um estágio profissional com uma duração de 9 a 12 meses.
Muito sinceramente, não estou com grande fé quanto a uma resposta positiva, algo me diz que por estes lados não há...como é que devo dizer...receptividade (?) para terem cá uma pessoa a trabalhar durante esse período e pagarem apenas uma percentagem do ordenado.
Para além de não acreditar muito, agora estou com uma dúvida tremenda. Em que situação é que devo comemorar?
Cada vez que penso no rumo que este departamento está a levar fico mais na dúvida se ficar cá é bom ou se é mau. Ainda assim, por muito mau que isto esteja, a angústia associada ao desemprego é maior e prefiro ficar aqui do que ficar em casa...sempre dá para ganhar experiência e no currículo fica sempre bem.
Muito sinceramente, não estou com grande fé quanto a uma resposta positiva, algo me diz que por estes lados não há...como é que devo dizer...receptividade (?) para terem cá uma pessoa a trabalhar durante esse período e pagarem apenas uma percentagem do ordenado.
Para além de não acreditar muito, agora estou com uma dúvida tremenda. Em que situação é que devo comemorar?
Cada vez que penso no rumo que este departamento está a levar fico mais na dúvida se ficar cá é bom ou se é mau. Ainda assim, por muito mau que isto esteja, a angústia associada ao desemprego é maior e prefiro ficar aqui do que ficar em casa...sempre dá para ganhar experiência e no currículo fica sempre bem.
quinta-feira, julho 15, 2004
Parabéns a nós...
Algures entre ontem e hoje este blog atingiu a marca das 2000 visitas.
Juro que não ando a fazer o mesmo que fizeram na eleição do Mourinho!
Espero que este número seja um sinal de que gostam do que eu aqui deixo. Espero que continuem a voltar e a deixar comentários.
Juro que não ando a fazer o mesmo que fizeram na eleição do Mourinho!
Espero que este número seja um sinal de que gostam do que eu aqui deixo. Espero que continuem a voltar e a deixar comentários.
Revolução
O meu pai é um adepto fanático da TSF, pelo que quando estou no carro com ele só se ouve uma estação. Para evitar decorar as notícias habituei-me a deixar de ouvir, pois até algum tempo atrás, durante uma viagem de uma hora, eu chegava a ouvir o mesmo noticiário três ou quatro vezes.
No entanto, ultimamente, tenho notado algumas alterações. Para meu grande espanto, a TSF passou a dar música entre os noticiários em vez dos, até então, habituais 10/15 minutos de publicidade.
O mais interessante neste caso é que as músicas até são engraçadas e eu tenho gostado delas. Ontem, porém, fiquei algo assustada e suspeito que o mundo está a ficar de pernas para o ar, pois passaram uma música de Celine Dion. Não pensem que eu estou a reclamar porque eu até gosto de Celine Dion. Sim, eu confesso, é verdade que gosto, até tenho alguns cd's!
Depois desta mudança já espero tudo e já estou a pensar qual será a próxima surpresa. Será que a Ana Gomes e o Francisco Louçã vão fazer uma conferência de imprensa conjunta onde vão afirmar que perceberam que são uns autênticos energúmenos* e que constataram, finalmente, que o seu contributo para a política e para o país é completamente negativo (-15 numa escala de 0 a 20) e por isso vão retirar-se e pedir asilo ao Botswana?
*A palavra energúmeno é aqui utilizada no seu sentido figurado e para que não haja quaisquer confusões transcrevo aqui a definição do dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: energúmeno - s.m. possesso do Demónio; [fig] pessoa que, dominada por uma obsessão, pratica desatinos.
Ainda estou a ponderar se eles estarão ou não possessos pelo Demónio, portanto fico só pelo sentido figurado.
No entanto, ultimamente, tenho notado algumas alterações. Para meu grande espanto, a TSF passou a dar música entre os noticiários em vez dos, até então, habituais 10/15 minutos de publicidade.
O mais interessante neste caso é que as músicas até são engraçadas e eu tenho gostado delas. Ontem, porém, fiquei algo assustada e suspeito que o mundo está a ficar de pernas para o ar, pois passaram uma música de Celine Dion. Não pensem que eu estou a reclamar porque eu até gosto de Celine Dion. Sim, eu confesso, é verdade que gosto, até tenho alguns cd's!
Depois desta mudança já espero tudo e já estou a pensar qual será a próxima surpresa. Será que a Ana Gomes e o Francisco Louçã vão fazer uma conferência de imprensa conjunta onde vão afirmar que perceberam que são uns autênticos energúmenos* e que constataram, finalmente, que o seu contributo para a política e para o país é completamente negativo (-15 numa escala de 0 a 20) e por isso vão retirar-se e pedir asilo ao Botswana?
*A palavra energúmeno é aqui utilizada no seu sentido figurado e para que não haja quaisquer confusões transcrevo aqui a definição do dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: energúmeno - s.m. possesso do Demónio; [fig] pessoa que, dominada por uma obsessão, pratica desatinos.
Ainda estou a ponderar se eles estarão ou não possessos pelo Demónio, portanto fico só pelo sentido figurado.
quarta-feira, julho 14, 2004
A vida não é uma praia
Esta está a ser uma semana complicada e a procissão ainda vai a meio.
No domingo de manhã acordei com o telemóvel. Era a minha orientadora a dizer-me que o Secretário-Geral da FPF tinha morrido. Lá foi o domingo para o lixo...
Na segunda cruzava-me com as pessoas que andavam todas de lágrimas nos olhos, foi aí que me apercebi do que realmente se tinha passado. Afinal de contas o Manuel Quaresma tinha apenas 49 anos, um filho com 20, montes de planos por realizar e uma vida pela frente.
Na terça fomos ao velório e ao funeral. Arrependi-me tremendamente de ter entrado na igreja, pois não fazia ideia que o caixão estava aberto.
Hoje é quarta, parece que a semana já dura há um mês. Para ajudar à festa a minha orientadora está de baixa. Andou aqui até não poder mais, agora está em casa para recuperar as forças gastas num trabalho onde não lhe dão o valor merecido. Entretanto eu vou tentado segurar as pontas, apesar de por vezes me sentir perdida.
Para terminar este meu choradinho, só falta dizer que estou prestes a acabar esta minha colaboração não remunerada com a FPF e ninguém me diz se é para continuar ou não. Será que devo fazer uma informação a explicar que a telepatia não faz parte dos meus dotes?
Portanto, se houver alguém interessado em contratar uma brilhante jovem recém-licenciada em Comunicação Social-variante cultural, com um domínio vastíssimo de variadas coisas, dê-me uma apitadela...pode ser que eu conheça alguém assim.
Em época estival apetecia-me que a vida fosse mais beach e menos bitch.
No domingo de manhã acordei com o telemóvel. Era a minha orientadora a dizer-me que o Secretário-Geral da FPF tinha morrido. Lá foi o domingo para o lixo...
Na segunda cruzava-me com as pessoas que andavam todas de lágrimas nos olhos, foi aí que me apercebi do que realmente se tinha passado. Afinal de contas o Manuel Quaresma tinha apenas 49 anos, um filho com 20, montes de planos por realizar e uma vida pela frente.
Na terça fomos ao velório e ao funeral. Arrependi-me tremendamente de ter entrado na igreja, pois não fazia ideia que o caixão estava aberto.
Hoje é quarta, parece que a semana já dura há um mês. Para ajudar à festa a minha orientadora está de baixa. Andou aqui até não poder mais, agora está em casa para recuperar as forças gastas num trabalho onde não lhe dão o valor merecido. Entretanto eu vou tentado segurar as pontas, apesar de por vezes me sentir perdida.
Para terminar este meu choradinho, só falta dizer que estou prestes a acabar esta minha colaboração não remunerada com a FPF e ninguém me diz se é para continuar ou não. Será que devo fazer uma informação a explicar que a telepatia não faz parte dos meus dotes?
Portanto, se houver alguém interessado em contratar uma brilhante jovem recém-licenciada em Comunicação Social-variante cultural, com um domínio vastíssimo de variadas coisas, dê-me uma apitadela...pode ser que eu conheça alguém assim.
Em época estival apetecia-me que a vida fosse mais beach e menos bitch.
sábado, julho 10, 2004
Hoje vi um filme que me deu vontade de ter esperança outra vez. Depois reflecti sobre os meus próprios pensamentos e lembrei a mim própria que a vida não imita a ficção.
A vontade de voltar a ter esperança continua aqui. Veio não se sabe de onde, mas sinto-a tal como das outras vezes. Apesar de saber que esta sensação precede sempre uma desilusão e que desta vez não tenho nada que me alimente a esperança, ela continua aqui.
Sinto-a como um ferro em brasa que me toca por dentro, parece que me diz para me deixar de coisas sem importância e para voltar a viver, que chega de me limitar a sobreviver.
Talvez seja altura de acordar, mas acordar para quê? Para ver o quê? O que será que despoletou esta sensação? Parece que algo me diz que vale a pena continuar a ter vontade e continuar a lutar por algo que acho que é meu por direito.
Talvez seja altura de crescer, abrir os olhos e de me deixar de "sensações" que me perseguem desde alguns anos a esta parte. Será que o caminho passa por pôr os pés no chão definitivamente e deixar de ter esperança?
Dizem que depois da tempestade vem sempre a bonança, pois eu estou farta de tempestades.
Quero a bonança que me é devida!
A vontade de voltar a ter esperança continua aqui. Veio não se sabe de onde, mas sinto-a tal como das outras vezes. Apesar de saber que esta sensação precede sempre uma desilusão e que desta vez não tenho nada que me alimente a esperança, ela continua aqui.
Sinto-a como um ferro em brasa que me toca por dentro, parece que me diz para me deixar de coisas sem importância e para voltar a viver, que chega de me limitar a sobreviver.
Talvez seja altura de acordar, mas acordar para quê? Para ver o quê? O que será que despoletou esta sensação? Parece que algo me diz que vale a pena continuar a ter vontade e continuar a lutar por algo que acho que é meu por direito.
Talvez seja altura de crescer, abrir os olhos e de me deixar de "sensações" que me perseguem desde alguns anos a esta parte. Será que o caminho passa por pôr os pés no chão definitivamente e deixar de ter esperança?
Dizem que depois da tempestade vem sempre a bonança, pois eu estou farta de tempestades.
Quero a bonança que me é devida!
quarta-feira, julho 07, 2004
( i ) m u n d o
Um dia acordei
e assim pensei:
O mundo
está imundo.
Assim me levantei
e mal-disposta fiquei.
De que vale estar
sempre a sonhar?
O mundo não é
e nunca será
aquilo que esperava:
o melhor que há!
Mariana Janeiro
A autora deste poema é a minha irmã e decidi publicá-lo aqui por duas razões:
1. Ela merece, a sacana da miúda até escreve umas coisas engraçadas, para quem tem 13 anos e tem o pensamento toldado pelas hormonas;
2. São muitos os dias em que acordo e sinto-me exactamente da forma que a Mariana descreve neste poema: desiludida com tudo. Dias em que eu acho que merecia que o mundo me desse muito mais do que aquilo que me dá. Momentos em que me sinto prestes a perder a esperança e a vontade de continuar a lutar, mas depois passa-me...e a ela também.
e assim pensei:
O mundo
está imundo.
Assim me levantei
e mal-disposta fiquei.
De que vale estar
sempre a sonhar?
O mundo não é
e nunca será
aquilo que esperava:
o melhor que há!
Mariana Janeiro
A autora deste poema é a minha irmã e decidi publicá-lo aqui por duas razões:
1. Ela merece, a sacana da miúda até escreve umas coisas engraçadas, para quem tem 13 anos e tem o pensamento toldado pelas hormonas;
2. São muitos os dias em que acordo e sinto-me exactamente da forma que a Mariana descreve neste poema: desiludida com tudo. Dias em que eu acho que merecia que o mundo me desse muito mais do que aquilo que me dá. Momentos em que me sinto prestes a perder a esperança e a vontade de continuar a lutar, mas depois passa-me...e a ela também.
segunda-feira, julho 05, 2004
A tragédia grega por Ferrada
Era uma vez uns meninos que tinham o sonho de serem campeões da Europa.
Depois de um começo azarado decidiram apanhar uma bela bebedeira com umas miúdas russas e a acompanhar uma vodka limão, seguiram-se as tapas, sempre de difícil digestão, mas estas encontravam-se deliciosas e de tenro sabor.
Mais tarde, saíram ao nosso caminho uns tais de ingleses, que dizem as más línguas vivem numa ilhota no norte da Europa rodeados de cerveja....mas o que eles não sabiam é que o tuga gosta de vinhaça e a bebedeira do vinho dá mais forca, como tal, demos uma valente coça que deixou os nossos amigos ko e a pensar que tínhamos tomado alguma poção magica antes do jogo.
De manha ao acordar, e com a ressaca a zumbir na mona, nada melhor que um suminho bem fresco de laranja vitaminada para abrir o apetite para a final.
Epílogo
Somos um povo triste e como tal bem no fundo dos nossos corações já pressentíamos que algo de nefasto ia acontecer....o chamado terrível fado lusitano.
Apareceram uns gregos os mesmos da abertura, mas desta vez eram mais...muito mais....faziam muito barulho e gritavam que queriam hellas....mas elas quem?
No final a tragédia abateu-se sobre os nossos meninos, Camões no céu ao lado de Sócrates escrevia mais uma estrofe triste, enquanto o nosso amigo Onasis acendia mais um charuto...o da vitoria.
P.S. Este texto foi publicado ao abrigo da lei do anonimato, se não existe nada disso passa a existir agora e será brevemente publicada no Diário da República do Espaço Virtual de Baboseiras.
Depois de um começo azarado decidiram apanhar uma bela bebedeira com umas miúdas russas e a acompanhar uma vodka limão, seguiram-se as tapas, sempre de difícil digestão, mas estas encontravam-se deliciosas e de tenro sabor.
Mais tarde, saíram ao nosso caminho uns tais de ingleses, que dizem as más línguas vivem numa ilhota no norte da Europa rodeados de cerveja....mas o que eles não sabiam é que o tuga gosta de vinhaça e a bebedeira do vinho dá mais forca, como tal, demos uma valente coça que deixou os nossos amigos ko e a pensar que tínhamos tomado alguma poção magica antes do jogo.
De manha ao acordar, e com a ressaca a zumbir na mona, nada melhor que um suminho bem fresco de laranja vitaminada para abrir o apetite para a final.
Epílogo
Somos um povo triste e como tal bem no fundo dos nossos corações já pressentíamos que algo de nefasto ia acontecer....o chamado terrível fado lusitano.
Apareceram uns gregos os mesmos da abertura, mas desta vez eram mais...muito mais....faziam muito barulho e gritavam que queriam hellas....mas elas quem?
No final a tragédia abateu-se sobre os nossos meninos, Camões no céu ao lado de Sócrates escrevia mais uma estrofe triste, enquanto o nosso amigo Onasis acendia mais um charuto...o da vitoria.
P.S. Este texto foi publicado ao abrigo da lei do anonimato, se não existe nada disso passa a existir agora e será brevemente publicada no Diário da República do Espaço Virtual de Baboseiras.
"Contra os canhões marchar, marchar!"
O que se passou ontem não foi nenhuma desgraça nem sequer um motivo de vergonha, muito pelo contrário. Temos muitos motivos para nos orgulhar: fizemos a melhor campanha de sempre num Europeu, o Euro2004 foi um sucesso a todos os níveis e a mobilização nacional foi um estrondo.
Claro que fiquei triste que acho que podíamos ter feito melhor, mas depois deste Europeu, penso que não temos motivos para esmorecer, baixar a cabeça, desistirmos ou crucificarmos a equipa ou o treinador.
Foi bonito ver toda uma nação a cantar o hino, a "levantar hoje de novo o esplendor de Portugal", mas foi ainda mais bonito ver os portugueses a comemorarem no fim do jogo, porque apesar de termos perdido continuamos a ter muitas razões para nos sentirmos orgulhosos.
Claro que fiquei triste que acho que podíamos ter feito melhor, mas depois deste Europeu, penso que não temos motivos para esmorecer, baixar a cabeça, desistirmos ou crucificarmos a equipa ou o treinador.
Foi bonito ver toda uma nação a cantar o hino, a "levantar hoje de novo o esplendor de Portugal", mas foi ainda mais bonito ver os portugueses a comemorarem no fim do jogo, porque apesar de termos perdido continuamos a ter muitas razões para nos sentirmos orgulhosos.
sábado, julho 03, 2004
Euro2004
Fico feliz por estar a ver o fim ao torneio. Entre jogos de Portugal, elaboração, entrega e apresentação do relatório, mudança de instalações da FPF, muito trabalho e vendas de cachecóis, questões pessoais, saídas, estas últimas semanas têm sido longas e cansativas.
Finalmente o Euro está a acabar e podemos dizer que foi um sucesso, agora só falta ganharmos aos Gregos e estou convencida de que isso vai acontecer. Espero que seja uma grande festa, eu vou fazer a minha parte no estádio: torcer pela nossa Selecção.
Só tenho um problema, depois da nossa vitória eu vou ter que ir festejar e depois como é que vou trabalhar na segunda de manhã? Algo me diz que o marketing vai ter que se aguentar sem mim...
Finalmente o Euro está a acabar e podemos dizer que foi um sucesso, agora só falta ganharmos aos Gregos e estou convencida de que isso vai acontecer. Espero que seja uma grande festa, eu vou fazer a minha parte no estádio: torcer pela nossa Selecção.
Só tenho um problema, depois da nossa vitória eu vou ter que ir festejar e depois como é que vou trabalhar na segunda de manhã? Algo me diz que o marketing vai ter que se aguentar sem mim...
quarta-feira, junho 30, 2004
Finito!
Durante a última semana perguntaram-me algumas vezes "então e o curso?". Eu respondia "na terça feira apresento o relatório de estágio e acabou tudo".
Só me apercebi do que isto queria realmente dizer quando estava a ir para Setúbal para a dita apresentação. Comecei a pensar "então mas isto é mesmo o fim?"
Durante a apresentação sentia um misto de felicidade e nostalgia, mas tentei não pensar muito nisso.
Quando cheguei a casa a minha mãe abraçou-se a mim, começou a dar-me beijos e a dizer aquelas frases típicas de mãe "ai a minha menina, parabéns filha!". Despistada como eu sou ainda cheguei a pensar se faria anos, até que ela me disse "já acabaste o curso!".
Pois parece que é mesmo verdade. Aquela que foi a etapa académica mais longa da minha vida chegou ao fim, começam outras etapas.
Porém, agora estou com um problema. Até aqui sempre que me perguntavam o que é que eu fazia eu dizia sempre "sou estudante", o que para a maioria das pessoas significava desocupada, irresponsável, etc, etc, etc. Então e agora sou o quê? Jovem licenciada à procura do primeiro emprego? O que é que eu sou agora?
Só me apercebi do que isto queria realmente dizer quando estava a ir para Setúbal para a dita apresentação. Comecei a pensar "então mas isto é mesmo o fim?"
Durante a apresentação sentia um misto de felicidade e nostalgia, mas tentei não pensar muito nisso.
Quando cheguei a casa a minha mãe abraçou-se a mim, começou a dar-me beijos e a dizer aquelas frases típicas de mãe "ai a minha menina, parabéns filha!". Despistada como eu sou ainda cheguei a pensar se faria anos, até que ela me disse "já acabaste o curso!".
Pois parece que é mesmo verdade. Aquela que foi a etapa académica mais longa da minha vida chegou ao fim, começam outras etapas.
Porém, agora estou com um problema. Até aqui sempre que me perguntavam o que é que eu fazia eu dizia sempre "sou estudante", o que para a maioria das pessoas significava desocupada, irresponsável, etc, etc, etc. Então e agora sou o quê? Jovem licenciada à procura do primeiro emprego? O que é que eu sou agora?
terça-feira, junho 29, 2004
Karga nisso!
Segundo consta há pessoas que andam a enviar mensagens a convocar manifestações de apoio e contra o Santana Lopes. O que se passa é o seguinte: eu estou sem dinheiro no telemóvel e ainda falta uma semana para o carregamento paternal, portanto agradecia que, em vez de gastarem dinheiro em mensagens para manifestações ridículas e infundadas, fizessem uma transferência para o meu telemóvel. Garanto-vos que o dinheiro será bem empregue.
domingo, junho 27, 2004
Mas afinal o que é isto?
Algo de estranho se anda a passar neste jardim à beira mar plantado...ou melhor, várias coisas muito estranhas...
1º Parece que ninguém avisou a quem de direito que é suposto serem sempre as mesmas selecções a ganharem este tipo de competições e que é quase um escândalo se a Taça for para um país diferente;
2º Está tudo a correr demasiado bem: não há problemas com a organização e a nossa selecção está a fazer uma excelente campanha;
3º O Durão Barroso foi convidado para ser presidente da Comissão Europeia
4º O Santano Lopes ou o Cavaco Silva tornam-se no próximo primeiro ministro;
5º O nosso país está a ser palco de tudo o que havia para acontecer este ano, não há nenhum grande evento que não passe por aqui;
6º Os alemães vêm cá aprender a organizar o Mundial de 2006 e
7º A nossa Selecção é uma forte candidata a ganhar alguma coisa que não seja o último lugar, será que é desta?
O que é que será que falta?
1º A seguir alguém repara que afinal os indíces que nos apontavam como estando na cauda da cauda da Europa estão todos errados e afinal estamos a liderar o pelotão;
2º Portugal ganha o Europeu, o Scolari fica e vamos ganhar o mundial.
3º Os nossos árbitros aprendem alguma coisa com os estrangeiros e deixam de roubar;
4º Descobrimos que o subsolo de Portugal tem mais petróleo do que calhaus e
5º Tornamo-nos todos muito ricos, bem comportados, educados, trabalhadores, organizados, letrados, respeitados e respeitadores...
O que é que se passa? Andamos distraídos ou quê? Vejam lá se entram nos eixos, se não ainda começam a pensar que isto é sempre assim!
1º Parece que ninguém avisou a quem de direito que é suposto serem sempre as mesmas selecções a ganharem este tipo de competições e que é quase um escândalo se a Taça for para um país diferente;
2º Está tudo a correr demasiado bem: não há problemas com a organização e a nossa selecção está a fazer uma excelente campanha;
3º O Durão Barroso foi convidado para ser presidente da Comissão Europeia
4º O Santano Lopes ou o Cavaco Silva tornam-se no próximo primeiro ministro;
5º O nosso país está a ser palco de tudo o que havia para acontecer este ano, não há nenhum grande evento que não passe por aqui;
6º Os alemães vêm cá aprender a organizar o Mundial de 2006 e
7º A nossa Selecção é uma forte candidata a ganhar alguma coisa que não seja o último lugar, será que é desta?
O que é que será que falta?
1º A seguir alguém repara que afinal os indíces que nos apontavam como estando na cauda da cauda da Europa estão todos errados e afinal estamos a liderar o pelotão;
2º Portugal ganha o Europeu, o Scolari fica e vamos ganhar o mundial.
3º Os nossos árbitros aprendem alguma coisa com os estrangeiros e deixam de roubar;
4º Descobrimos que o subsolo de Portugal tem mais petróleo do que calhaus e
5º Tornamo-nos todos muito ricos, bem comportados, educados, trabalhadores, organizados, letrados, respeitados e respeitadores...
O que é que se passa? Andamos distraídos ou quê? Vejam lá se entram nos eixos, se não ainda começam a pensar que isto é sempre assim!
sexta-feira, junho 25, 2004
Até os comemos!
Esta deve ser a frase mais batida dos últimos tempos, mas é a verdade! Ganhámos aos ingleses e mostramos várias coisas:
1. Aqui quem manda ainda somos nós;
2. Quantidade não é sinónimo de qualidade;
3. Em Portugal, bifes só mesmo com ovo a cavalo e batata frita e
4. Somos o máximo para expulsarmos invasores que vêm aqui destruir o nosso país.
Conclusão: já comemos as tapas, o bife também já marchou, de seguida apanhamos com uma laranja ou com um Smörgasbord, para brindarmos com um champanhe...a derradeira vingança!
Para quem viu em casa deve ter sido um jogo fenómenal, mas deixem que vos diga que no estádio estava um ambiente espectacular, especialmente quando calámos os ingleses.
Foi um jogo espectacular, apesar de, para mim, ter sido complicado. Depois de ter levado o meu pai aos três primeiros jogos, decidi desta vez levar uma amiga que nunca tinha visto um jogo de futebol num estádio. Sei que ela ficou muito feliz e eu fiquei muito contente por lhe ter dado esse prazer, mas parece que lá em casa ninguém conhece o conceito de partilha. Hoje estou divídida entre uma grande alegria pelo resultado e, por outro lado, revolta, incompreensão, tristeza e os remorsos que fazem questão em impingir-me.
Felizmente, passámos, eu vou outra vez ver o jogo ao estádio isso é o que importa!
1. Aqui quem manda ainda somos nós;
2. Quantidade não é sinónimo de qualidade;
3. Em Portugal, bifes só mesmo com ovo a cavalo e batata frita e
4. Somos o máximo para expulsarmos invasores que vêm aqui destruir o nosso país.
Conclusão: já comemos as tapas, o bife também já marchou, de seguida apanhamos com uma laranja ou com um Smörgasbord, para brindarmos com um champanhe...a derradeira vingança!
Para quem viu em casa deve ter sido um jogo fenómenal, mas deixem que vos diga que no estádio estava um ambiente espectacular, especialmente quando calámos os ingleses.
Foi um jogo espectacular, apesar de, para mim, ter sido complicado. Depois de ter levado o meu pai aos três primeiros jogos, decidi desta vez levar uma amiga que nunca tinha visto um jogo de futebol num estádio. Sei que ela ficou muito feliz e eu fiquei muito contente por lhe ter dado esse prazer, mas parece que lá em casa ninguém conhece o conceito de partilha. Hoje estou divídida entre uma grande alegria pelo resultado e, por outro lado, revolta, incompreensão, tristeza e os remorsos que fazem questão em impingir-me.
Felizmente, passámos, eu vou outra vez ver o jogo ao estádio isso é o que importa!
segunda-feira, junho 21, 2004
Olha o fish and ships...até os comemos!
Como não podia deixar de ser, apesar de ontem ter o relatório de estágio atrasadíssimo lá fui a Alvalade ver o jogo. Na minha qualidade de Sportinguista vejo-me forçada a dizer que uma vitória daquelas só podia acontecer naquele estádio!
Já sabemos que a Inglaterra são os nossos próximos adversários e em princípio vou outra vez ter bilhetes à borlix! Como eu adoro o meu estágio! Excusam de se voluntariar para serviço de acompanhantes porque a companhia já está escolhida!
Estou com aquele feeling de que agora ninguém nos pára e de que vamos até à final para encontrarmos a França e nos vingarmos do Euro 2000! Depois penso um pouco e apercebo-me que os próximos são os ingleses e a esperança desvanece...no entanto ninguém diria que depois daquele começo acabaríamos em primeiro, não é?
Já sabemos que a Inglaterra são os nossos próximos adversários e em princípio vou outra vez ter bilhetes à borlix! Como eu adoro o meu estágio! Excusam de se voluntariar para serviço de acompanhantes porque a companhia já está escolhida!
Estou com aquele feeling de que agora ninguém nos pára e de que vamos até à final para encontrarmos a França e nos vingarmos do Euro 2000! Depois penso um pouco e apercebo-me que os próximos são os ingleses e a esperança desvanece...no entanto ninguém diria que depois daquele começo acabaríamos em primeiro, não é?
Adios, adieu,....
Finalmente acabei o relatório, no entanto acho que podia ter feito melhor. Espero que os profs. ainda estejam anestesiados da vitória sobre a Espanha e que estejam a contar que eu lhes ofereça uns bilhetinhos.
À minha boa e infeliz maneira deixei tudo para a última, quando ficou com a corda na garganta arrependo-me sempre mas nunca aprendi de uma para as outra...sim! a minha burrice chega ao ponto de não me emendar! Começo a achar que isto é patológico e que se calhar os profs. me deviam beneficiar por isso...
De qualquer forma, tão cedo não quero saber de escolas, trabalhos, aulas ou qualquer um desses derivados (excepção feita às borgas, claro!)!
Ontem tomei umas resoluções, até parecia ano novo, para que a tradição não se perdesse já nem sequer me lembro daquilo que resolvi fazer, excepto de ter dito "daqui para a frente a minha vida vai levar um rumo novo! vou.... e vou ... e não quero saber mais de escola durante algum tempo, estou farta! ahhh e também vou...". Como podem ver tenho uma memória muito selectiva!
À minha boa e infeliz maneira deixei tudo para a última, quando ficou com a corda na garganta arrependo-me sempre mas nunca aprendi de uma para as outra...sim! a minha burrice chega ao ponto de não me emendar! Começo a achar que isto é patológico e que se calhar os profs. me deviam beneficiar por isso...
De qualquer forma, tão cedo não quero saber de escolas, trabalhos, aulas ou qualquer um desses derivados (excepção feita às borgas, claro!)!
Ontem tomei umas resoluções, até parecia ano novo, para que a tradição não se perdesse já nem sequer me lembro daquilo que resolvi fazer, excepto de ter dito "daqui para a frente a minha vida vai levar um rumo novo! vou.... e vou ... e não quero saber mais de escola durante algum tempo, estou farta! ahhh e também vou...". Como podem ver tenho uma memória muito selectiva!
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